A evolução na Ciência Política e na análise de dados: R

Para quase todo estudante de Ciência Política aprender a operar um software estatístico é quase por acaso. O primeiro professor de metodologia de pesquisa simplesmente aborda um software específico em aula e pronto. Se o contato com o software não foi traumático – o evolucaorque é para muita gente – o estudante aprenderá os fundamentos mínimos e eventualmente estudará mais sobre o software.  Dificilmente, contudo, se arriscará a mudar. Afinal, qualquer mudança exigirá mais tempo de dedicação.

Mas a realidade muda. Aquela ferramenta que você aprendeu a usar pode se tornar obsoleta. Na área de tecnologia as mudanças sã o muito rápidas. Pensando nisso, o Metodologia Política vai iniciar uma série de artigos, vídeo aulas e disponibilizará uma biblioteca gratuita sobre aquilo que consideramos um bom investimento intelectual para qualquer estudante com olhos no futuro: o R.

Acalme-se. O R não é um bicho papão, tampouco uma coisa de nerds ultra-mega-aficionados em estatística e análise de dados. Tenho certeza que, em breve, o R se tornará o seu melhor amigo.

Mas afinal, o que é o R? O R é uma linguagem e uma plataforma para o desenvolvimento de estatísticas e gráficos em computadores (veja mais). Ou seja, é um programa de estatística como o seu já conhecido SPSS, STATA, SAS, SPHINX, SPAD e etc. Mas o R tem uma diferença profunda em sua concepção: o R é gratuito e seu código é aberto.

Agora você irá me perguntar: mas porque eu deveria aprender R e deixar de utilizar o meu programa estatístico favorito? Esta resposta não é simples, mas vamos lá.

Gratuito

nomoneyVocê pode estar muito satisfeito utilizando o seu software estatístico obtido de forma pirata por download ou através de CD emprestado por seu colega de sala. Mas, você sabia que isso é crime? Pois é, pode ser que você nunca seja penalizado por isso. Afinal, para o Estado é praticamente inviável fiscalizar o computador pessoal de todos os cidadãos. No entanto, tal chance aumenta caso você esteja utilizando programa pirata em uma empresa ou universidade.

O R é gratuito (na faixa, 0800, free, etc). E isso não é pouco. Universidades brasileiras normalmente não possuem dinheiro para compra de versões pagas de softwares estatísticos. Empresas de pesquisa podem até possuir, mas o preço é salgado e com certeza ter alguém que trabalhe com software gratuito passa a ser um diferencial.

Código Aberto

colaborarO mundo da ciência de ponta não funciona como muitas de nossas universidades brasileiras funcionam: pequenos feudos fechados de rivalidades e egos imensos por publicações nem sempre tão relevantes. A ciência de ponta tem funcionado com um processo de colaboração. Não fosse isso, o investimento bilionário do acelerador do LHC não estaria funcionando. Sim, a tendência do mundo é funcionar em uma nuvem de conhecimento e colaboração e o R se encaixa perfeitamente nisso. Milhares de “geeks” de todas as universidades do mundo programam para deixar o R cada vez melhor. Isso faz com que diversos problemas em diversas áreas estejam sendo cada vez mais resolvidos em R, uma vez que está se tornando padrão na ciência. Por exemplo, uma solução desenvolvida por um cientista social pode ser útil para um estudante de medicina, e vice-versa. Pesquisadores de ponta desenvolvem em R e fazem pacotes desses desenvolvimentos. Por exemplo, o próprio criador da regressão quantílica Roger Koenker, que fez o pacote 'quantreg' para o R. E isso permite duas coisas, a) que os trabalhos de ponta cheguem em R rápido e b) que grau de confiança de um código escrito pelo pai do conceito seja alto. Moral da história: pesquisadores que trabalham com R conseguem estabelecer relações mais fáceis com outros pesquisadores.

Vários Rs

rsO R possui uma grande variedade de pacotes, o que possibilita desenvolver análises diversas com um mesmo software. Alguns desses pacotes são tão específicos que poucas dezenas de pessoas utilizam, isso mostra o quão democrático o R pode ser para pesquisadores que trabalham com problemas específicos. Depois de passar pela fase inicial de aprendizado do R, você pode utilizá-lo virtualmente para tudo: estatística descritiva, análise de regressão, programação linear, análise de redes, análise fatorial, análise espacial, mineração de dados, simulações, gerenciamento de dados, rapagem de dados da web,  entre outras possibilidades.

Saídas Gráficas

hpgraphicO R tem a capacidade de produzir gráficos excelentes. Na Ciência Política isso se torna ainda mais relevante na medida em que as análises podem se popularizar para um público ainda maior e interessado em política.

Aprenda

Você vai precisar de tempo e dedicação para aprender R? Vai. Mas vai valer a pena. O Metodologia Política utilizará os excelentes vídeos do Professor Adriano Azevedo Filho (Departamento de Economia, Administração e Sociologia da USP/ESALQ) para a introdução ao R.

Vídeo 1 (Visão Geral)

 

Vídeo 2 (Explorando o site do R)

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Baixando e Instalando o R

 

Um abraço e até o próximo post!

Equipe Metodologia Política
Daniel Marcelino
Roney Fraga
Thiago Sampaio
Max Stabile


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