Analisando as Redes Sociais

Um dos melhores trabalhos que eu já vi sobre Análise de Redes: Prof. Fábio Malini do LABIC

Nunca se falou tanto em redes sociais como nestas últimas semanas de protestos em todo o Brasil. Jornalistas, cientistas políticos, juristas e palpiteiros de plantão disseram que o Brasil está vivendo uma onda de protestos organizados pelas redes sociais. Mas... será que é isso mesmo? Quais são as evidências empíricas? Será que os analistas e palpiteiros não confundiram sua timeline ou o que leem em seus perfis e já saem dizendo que “todo mundo está comentando sobre isso e aquilo”? Parece que a “amostra” dos posts (que no Facebook são selecionados) e do Twitter são representativos do universo das redes sociais. Acho que não é bem isso.

O viés da rede. Existe um viés nessa simples análise. Se você é um cientista político, um analista político ou até mesmo um ativista, você muito provavelmente vai estar conectado a muita gente que gosta disso e tem uma afinidade com você. Logo, sua timeline vai “bombar” sempre com opiniões políticas. Se você fosse um desses personal trainers de academia, tenho certeza que em sua timeline iria aparecer pessoas na academia, malhando, falando dessas coisas de suplementos, etc... Voltando à política. Ainda se você possui um forte ativismo sobre um determinado tema, se você é um filiado ao PT ou ao PSDB, tenho certeza que o que você vai ver será diferente de um “cidadão comum”.

Redes. A explicação disso tudo é que o fenômeno funciona em redes. Sim, parece óbvio, mas já vi muita gente que publica sobre o assunto (na academia e no mercado) esquecendo disso, afinal, o nome disso tudo é redes sociais. Ou seja, dependendo da sua rede de conexão, você e qualquer pessoa vão ver coisas diferentes.

redeanimada

A "rede" pode ser muito maior do que você imagina, ou muito menor...

O fetiche da métrica. E afinal, para que serve todos esses softwares on-line que medem a frequência de determinada palavra e quantas vezes determinado assunto foi citado? Eu acho que isso serve mais para alimentar o fetiche da métrica, do que realmente dar boas análises sobre o todo. Um exemplo simples? Seu aniversário. As pessoas vão te ligar, vão conversar mais com você, vocês irão falar muito mais do assunto “aniversário”. Isso não quer dizer que o tema do seu aniversário foi espalhado na rede de vários amigos ou que você tenha feito novos amigos e conhecido mais pessoas. Mas a estatística é fiel: o tema “bombou”.

Então, afinal de contas, o que você quer pesquisar, analisar e dizer? Que as manifestações e protestos “bombaram” na rede ou que se espalharam para vários perfis e realmente muita gente estava falando disso e se organizando? A diferença entre uma coisa e outra pode ser grande. Um exemplo prático? Você está conduzindo uma campanha eleitoral on-line para um candidato de um partido X. Você faz um esforço tremendo e seu post é um “sucesso” nas redes: milhares de curtidas, retuítes e compartilhamentos. Se você analisar com calma, pode ser que só a rede dos já apoiadores do seu candidato e filiados ao tal partido X gostaram. E aí? Você quer “pregar para convertidos” ou quer conquistar novos votos?

Por isso, cuidado. Analisar redes sociais é algo sério e a literatura para isso existe há muito tempo. Para você ter uma ideia, a teoria de grafos começou na matemática em 1736 com Euler e as Pontes de Königsberg.

s200_labic_ufesQuer conhecer um excelente trabalho de análise das redes sociais? Indico os trabalhos do LABIC  da Universidade Federal do Espírito Santo, coordenado pelos Professores Fabio Malini e Fábio Gouveia. No post sobre a Cartografia das Controvérsias, que ilustra o post, o Prof. Fábio aponta alguns argumentos que eu escrevi aqui.

Quer aprender sobre análise de redes? Eu já fiz dois posts ensinando um pouco a parte técnica, não me atrevo a entrar na parte teórica pois já tem muita gente e muito material de qualidade publicado por aí. Recomendo o site Escola das Redes, que tem uma excelente biblioteca.

Espero no próximo post ensinar a vocês como trabalhar com as importações das redes sociais com o NodeXL e a fazer visualizações incríveis com o Gephi, vocês verão o quanto isso pode ser mais simples do que vocês imaginam!

Um abraço e até a próxima!

Max Stabile


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