Comparando a confiança em TV, Rádio e Jornal a partir do uso dos resíduos padronizados

Por Emerson Cervi*

categoricos2A Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República divulgou a primeira pesquisa brasileira de hábitos de mídia no Brasil. A pesquisa tem uma grande e boa vantagem: seu banco de dados é aberto. Então, nada melhor do que utilizar “dados frescos” para um exemplo de análise, não acham?

A questão que nos move aqui é a seguinte: Há diferenças entre os níveis de confiança em TV, Rádio e Jornal? As respostas são distribuídas nas seguintes categorias: "confio sempre", "confio muitas vezes", "confio poucas vezes" e "nunca confio". Então, nosso objetivo é identificar não apenas quais as frequências de nível de confiança em cada veículo separadamente, mas comparando os níveis de confiança entre os três tipos de veículos de comunicação.

Para saber se as diferenças entre as categorias das duas variáveis são significativas, podemos usar um teste de diferença de médias (χ2) para identificar se as distribuições são as esperadas ou se as distribuições reais se afastam das distribuições teóricas. O teste com os valores representados na tabela 1 a seguir mostra um coeficiente de χ2 = 41,261, bastante acima do limite crítico para a relação entre as duas variáveis. Portanto, podemos dizer que os níveis de confiança variam entre os meios analisados. No entanto, o χ2 só nos permite identificar o padrão geral da distribuição e não aponta em que categorias há concentração de casos. Para verificar qual o maior nível de confiança comparativa por veículo usamos os resíduos padronizados, que permitem identificar a diferença proporcional da confiança entre cada categoria e cada veículo analisado.

O objetivo da análise de resíduos padronizados é identificar, comparativamente, em que categorias há maior concentração de casos e em que categorias os casos estão se distribuindo normalmente. Se o resíduos ficar próximo de zero, significa que o número de casos nas categorias se aproxima da distribuição esperada. Quanto maior o resíduo padronizado positivo, maior concentração de casos naquela categoria. Se o resíduo for negativo e alto, significa que há menos casos naquela categoria do que se esperaria se a distribuição fosse a esperada - sem tendência.

A tabela abaixo compara as distribuições de casos entre os que têm respostas válidas para confiança em TV, Rádio e Jornais diários. No caso da TV, a concentração de casos se dá nos extremos, sendo que a maior concentração é para "nunca confia" (1,985). Já as categorias intermediárias apresentam resíduos negativos, indicando menos respostas nessas categorias do que se esperaria se não houvesse relação entre as variáveis.

No Caso do Rádio, o resíduo é negativo em confia sempre. Passa a positivo, mas próximo de zero, em confia muitas vezes e cresce o resíduo positivo para confia poucas vezes - sendo essa a categoria com maior resíduo. Já a categoria "nunca confia" para Rádio fica muito próxima de zero.

O jornal diário é o veículo com maior nível de confiança entre os três. Os resíduos são positivos e diferentes de zero para confia sempre e confia muitas vezes. Além disso, são negativos para as categorias de baixa confiança: poucas vezes e nunca confia. Significa que entre os respondentes há maior concentração nas duas primeiras categorias e menor nas duas últimas. Além disso, se olharmos o conjunto dos resíduos perceberemos que os maiores valores estão na categoria jornais. O maior resíduo positivo é para confia muitas vezes em jornais (+2,695) e o maior negativo é para nunca confia em jornais (-4,368).

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Tabela 1 - Resíduos Padronizados

O gráfico a seguir facilita a visualização das diferenças de confiança entre os três veículos: TV, rádio e jornais. Ele mostra que no caso da TV os resíduos positivos tendem a ser maiores que os negativos e encontram-se nas categorias extremas. No caso do Rádio, os resíduos positivos são das categorias confia poucas vezes e nunca confia. O contrário acontece com os jornais, com resíduos positivos nas categorias confia sempre e muitas vezes e resíduos negativos para confia poucas vezes e nunca confia.

As conclusões que podemos tirar a partir da comparação entre níveis de confiança em TV, rádio e Jornais é que os últimos concentram os maiores níveis de confiança da população em geral. A TV e o rádio apresentam aproximadamente os mesmos padrões de confiança, porém, a confiança na TV é concentrada nos que confiam sempre, que ainda assim fica um pouco abaixo da categoria "nunca confia".

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Cervi_JMmaio20121* Emerson Cervi é professor adjunto do Departamento de Ciências Sociais, da pós-graduação em Ciência Política e da pós-graduação em Comunicação da Universidade Federal do Paraná (UFPR).


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